quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Retirem tuas máscaras
Faces nuas
Como cadáveres
E aí sim, lidarás de igual para igual
Ou se justo fizeres
De nobre para reles.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

poeta marginal
versinho pra flor
vanguardista intelectual
melodia cortês
pose montês
meia boca original
encanto barato
coitos em retrato
mocinhas sem tato
na vila passa
rua atravessa, extravasa
gira, quarteirão vira
atropela gente pura
na escuridão, covarde pula
consigo traz vazio
viver alvitres venturas
vento venta leva léguas
dizia mestre samba
a vida é um moinho
sobrevive agora
só, sóbrio, sonso, sozinho

(aos ''banbanbans'' urbanos)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

“rimas” em seqüência
sem coesão
com coerência
de uma língua sem léxico
discurso perplexo
sexo disléxico
jus a linha hiperônima
no pódio, o culto poético
de idéias sem nexo

sábado, 4 de setembro de 2010

Você que vai pro mar
Joga meu pedido lá
Que é pra Iemanjá encontrar

Manda meu recado
Num dia ensolarado
Que é pra são Jorge
Se alegrar
Se quiser
Na noite de luar
Ele não há de recusar
Fuja só da tempestade
Se não pelos céus ele periga voar

Pra santo Antonio
Nem prece, nem atenção
No amor de nada vale
Nem fé, crença ora lá oração

Traz uma concha
Que é pro som das ondas
No meu ouvido cantarolar
Traz uma estrela
Que mesmo sem luz
A direção vem apontar
Traz areia numa ampulheta
Que ela vem marcar
O tempo que os deuses
Tardarão até minha suplica realizar

(boa viagem flor!)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vou me embora
Nessa euforia
Na esperança de
Em nenhum dia
Essa alegria
Me deixar

Nessa aventura
Vou me mandar
Rezando pra nenhuma desventura
Meu caminho cruzar

Vou na fé
Vou a pé
Procurar
E se sorte tiver
Eis que hei de achar

A paz perdida
Que em uma prece atendida
O universo gentilmente vem me dar


domingo, 18 de abril de 2010

paixão. passion. leidenschaft. pasión. passione.

Pra você que achou que estava imune
Bem vindo de volta à velha guarda

Ela finge de morta
E num só golpe
Escancara porta
Atrás de porta

Você acredita
Em poder
Cuidado!
Das sete cabeças
Pelo menos uma
Há de morder

É essa mania
De humano
Querer ter garantia
Falência
De vogal final invertida
Só pra dizer
Que quem muito confia
Ela sem dó
Há de surpreender

sábado, 17 de abril de 2010

ô vida
não melhora não
se melhorar
mais valia

já dizia: desconfie
de quem muito canta alegria

mas eu canto
danço, ando, ardo
porque pra mim
em silêncio
esse cargo
é muito pesado

é culpa dela
que sem pudor
faz correr na veia
endorfina
adrenalina
ocitocina
só porque
de
com
por
amor
eu vivo morrendo de alegria
de alegria, ia, ia, ia

sábado, 20 de março de 2010

manifesto

Na ausência de alucinação
Por frenesi de jubilo
Recorro aos íngremes da poesia
Num verso arrojado
Na ostentação de particular expressão
Sem alicerce
Só pra lucrar
De um semblante sorumbático
Arranjos de discursos vagos inertes.

(recorrentes)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Diante das calorosas circunstâncias passam nos despercebidas a engenhosidade, complexidade e coerência de nossas preferências. Verdade atrás de verdade (de pré-disposição e influências) que quando descobertas maravilham nos só de saber o que já se sabe. Em sua essência, não em sua forma. Ou talvez seja o contrário. Indiscutível é o nosso saber superficial e precário.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Camuflado na superficialidade
A burguesia usa do cântico
Fugir da mediocridade
Vale ate pílula pra ficar alucinado
Sou hippie
Sou paz e amor
Proteja a fauna, a flora
Mas ora, um furto aqui, outro ali
Pra um baseado, já esqueci
Sou de Deus
Mas longe dos eclesiásticos
Valores?
Só me servem se práticos
Sou intelectual
Ate ontem, estilo, não tinha
Mas hoje sou indie
Gosto de bossa, blues, poesia
Do que for atual
E incorporo ate gíria
Sou da turma do
Sexo, drogas e rock'n'roll
Sem temor, sem amor
Sou lunático, sou artista
O que eu quero é impressionar
É ser star, é revista, revista
Os pseudo-revolucionários
Contra o sistema
Mas salvem os mc Donald’s
Sou anti-capitalismo
Mas shopping sempre me é bem vindo
Sou comunista
Sou anarquista
Nada satisfaz
Já que assim se faz
Traz mais uma
Pra lucidez me escapar
Sou apaixonado
Assim que a solidão me encontrar
Se o suicídio me coar
Me afogo em melancolia
Longe do sarcasmo
Dos estereótipos
Da hipocrisia
Quem sou eu?
Adivinhe
Adivinha.